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00:00 [Apresentação] [casamento] [trabalho] António Fernandes – 82 anos feitos – Nasceu em Rariz – tem memorias boas e gosta muito de Rariz mas foi para Nodar com 30 anos – já era casado – fez em Nodar a sua vida e lá continua – eram 9 irmãos 4 rapazes e 5 mulheres – Casou em São Martinho das Moitas porque ela era Nodarense – quatro anos depois de casa veio para Nodar, casou em 56 e em 60 veio para Nodar – veio para nodar e lá começou a fazer a sua vida e lá continua – trabalhava na altura e ainda hoje trabalha quanto mais naquela altura – veio trabalhar as terras da Mª do Carmo e com a ajuda da pesca fez a sua vida em Nodar –
2:05 [Pesca ] já pescava em Rariz – a pesca era idêntica à de Nodar, havia pescadores do outro lado de Vila Nova, havia em Rariz tal como em Nodar havia o Joaquim, Parada, Meã, todo o lado, todo o mundo pescava- era idêntica à de Nodar a forma de pescar: à rede à cana – Já conhecia o Rio Paiva desde Castro d’aire até Castelo de Paiva e à Ponte da Bateira, que fazia a pé desde Reriz para baixo e para cima –
3:09 [escola] fez a escola primária até à 4ª classe em Rariz, aos 11 anos- a escola era em rariz mas os exames eram em castro d’aire – exames sofisticados naquele tempo – diziam que era obrigatório ir à escola mas a maior parte não ia – por vezes fugia da escola mas para o fim já não lhe incomodava – concorda que o fato de ter ido à escola o fez perceber certas coisas que os que não vão à escola não se apercebem – teve um professor e professora, um casal, e eram de ? mas fizeram vida em rariz, fizeram lá uma casa aquela logo à entrada de como quem vai de Grijó para lá à saída de baixo para rariz e lá morreram
4:55 [quando as pessoas adoeciam] as pessoas doentes tinam que ir a castro d’aire, chamava-se o médico que vinha de castro d’aire para baixo a cavalo porque não havia carros nesse tempo – nunca houve médico em rariz ainda hoje não há – mas (?) já lá vem, tem lá um posto médico como em Parada –
5:28 [correio] o correio era feito por um homem a pé a partir de castro d’aire que trazia as malas do correio das povoações até parada- no outro dia de manhã ia com o correio que apanhava, era assim que era feito
5:50 [estradas] não havia estrada alcatroada até rariz, foi só há pouco tempo “não há de haver 20 anos” – em nodar sucedeu-se o mesmo – lembra-se do primeiro carro em parada – e hoje são centenas dele até aqui em nodar é o diabo deles, em todo o lado – naquele tempo não havia nada, não havia caminhos
06:25 [relação com Rariz] – ia a pé a rariz e mais tarde comprou uma bicicleta, ia a pedal, mais tarde comprou a motorizada e agora tem a moto 4 e é o que lhe vale – ainda hoje mantém relação com rariz pois ainda lá tem uns “bocaditos”, ainda lá tem qualquer coisa que herdou – tem lá família e uma irmã e sobrinhos – visitam -no em Nodar, pelo menos um familiar que ainda lá está porque os outros não têm meio de transporte
07:34[ filhos ]o mais velho nasceu em rariz, veio com quatro anos para nodar e a seguir vieram mais 5 portanto 6 filhos no total e ainda estão todos vivos – o Acácio é o mais velho, a seguir a dona desta casa que é a Cecília, o terceiro é o Alberto que vive em covas do monte, o Paulo é da ameixosa e o Carlos ali em baixo – da ameixosa é a Cristina – foram todos à escola mas ficaram-se todos pela 4ª classe e o Paulo nem a fez fez só a 3ª classe – para ir à escola de nodar tinham de ir para sequeiros a pé –
08:55 [habitação] em nodar vieram viver para a casa lá de cima que é hoje do Luís, a casa do almeida –
09:08 [patrões] era o Celestino de almeida do Gafanhão e depois ficou a filha a Maria do Carmo, a mãe do professor Neca cuja mulher é de Pessegueiro do Vouga (…) A Maria do Carmo era a viúva do Laurindo que era de Sequeiros, o pai do professor que era irmão do Fernando e o Zé da Quintã –
10:31 [casa dos patrões] na altura quando viemos para cá quem habitava na casa da mª do Carmo eram os caseiros – quando a Mª do Carmo casou fez uma casa no quintal – viviam (os patrões) no Gafanhão e em Nodar, andavam assim, ela nunca viveu ali permanentemente – os caseiros é que habitavam nessa casa de família e cuidavam dos terrenos – os patrões iam e vinham, vinham a nodar “partir as medidas” ou o vinho e passavam assim o tempo até que ele morreu lá em baixo e ela continuou na mesma e então nunca viveu aqui permanentemente – Ele e a Maria do Carmo viviam no Gafanhão porque ela era de lá e ele de Sequeiros –
12:23 [tropa] ficou em serviço auxiliar e nunca chegou a fazer tropa nenhuma – (na altura ainda não havia guerra )
12:47 [trabalho no estrangeiro] foi a Reims em França, foi uma aventura movida pela aventura de ganhar mais mas deu-se mal porque a França organiza-se por 51 departamentos – na altura um cunhado meu incentivou-o para que fosse e ele foi mas chegou lá e a mão de obra estava fechada não havia documentos para ninguém – foi em 70, chegou lá não a caminhar, foi de assalto, sem documentação através de um passador. Pagou-lhe e eles pô-lo lá – foi de camioneta de parada ao porto e depois apanhou o comboio em chaves, em chaves dormiram, passaram a serra para o outro lado, uma serra mais alta do que dali até lá em cima , a pé, eram uns 15. Desceram para Espanha e arrumaram-nos lá para uma estalagem qualquer e então mandaram nos tirar leite às vacas e deram lhes o mata-bicho – dali apanhar outra camioneta a “toca descer para baixo “ até que veio outra principal que os levou à fronteira – o trajeto foi sempre se assalto, de Espanha para França apanharam um rapizé ? já francês para que pudessem andar em Espanha – só aguentou três meses mas trabalhou sempre – a experiencia de emigração foi só três meses porque às tantas chega se lá o “françois” que era português e disse lhe : ou o António se vai embora ou vai fazer os papeis à Bélgica, para fazer a documentação e então ele disse lhe : ó meu amigo mandar me embora ou para a Bélgica sem la ter ninguém é a mesma coisa – passados três meses, ordem de repatriamento, e foi se embora – foi sozinho mas se a vida lá corresse bem era bem capaz de chamar a família para lá, mas afinal as coisas correram mal-
16:10 [Agricultura a Pesca de antes e agora ] Antigamente a agricultura era tudo manual, era dura, hoje está muito diferente, tudo mecanizado quem tiver dinheiro para pagar as máquinas claro – a pesca a mesma coisa – a pesca correu lhe mal porque às tantos de há uns anos para cá ficou proibido ir-se para o rio – a pesca à rede que ainda hoje é proibida – e a partir daí modificou bastante – eu fazia uma vida porque andava na agricultura e ia à pesca – trazia o peixe pegava na motorizada e ia vendê-lo por aí a fora – foi onde fez a sua vida porque aquilo que possui foi ele que comprou, não tinha nada antes – (veio como caseiro e foi comprando) – exactamente comprou o que possui – tem vinho para casa, azeite, hortaliças, feijão. – era com vacas que se fazia o trabalho, ao arado com o carro de vacas que era o que transportava – os filhos quando se começaram a saber governar saíram mas ajudaram até essa altura, por volta dos 16 anos –
18:25 [redes de pesca] as redes de pesca era ele que as fazia mas depois mais tarde começou a haver fábricas mas a linha era diferente porque durante algum tempo era tudo linha de carrinho de algodão – depois começou a vir o nylon e aí já haviam fábricas a vender, do género, compra se uns panos de depois nós ponhamos-lhe o resto, as cordas, malheiros, rede alvitana que durante algum tempo se usava – algumas redes só apanham uma medida de peixe especifica e a alvitana apanha o grande e o pequeno porque tem 3 panos de rede, um de malha larga que é para os grandes, os peixes entram, fazem saco, e já não saem – e foi assim que me tolheram (?) – (…) “tenho para aí o diabo delas “ (de redes)
19:59 [proibição de rede de pesca] Não consegue precisar quando foi proibida mas garante que foi muito depois do 25 de Abril – foi quando começou a vir a guarda florestal, que no principio ainda fazia as refeições com os pescadores – mais tarde as situação começou a ficar perigosa – hoje em dia a pesca é só desportiva –
20:42 [Manter a tradição da pesca com rede] os filhos que lá estão ainda pescam mas quem o faz com mais frequência é o Alberto que sabe preparar as redes – tem dito aos outros filhos que quando morrer os outros filhos já não têm habilidade para pescar com rede
21:28[ pescarias] Era mais pela parte do verão – o costa sempre teve redes, o velhote, depois ficou o Fernando que foi o único porque o Norberto e o de Lamego fizeram vida fora, eram também os do Paiva aqui em cima, os ferreiros ali em baixo: todo o mundo pescava com rede
21:57 [altura das pescaria] era de verão mas no são Macário era indespensavel porque era para levarem peixe para lá – guardavam aquele ? só para pescar nas vésperas daquele dia –
22:28 [sistema de redes para a pescaria] quando não chegava uma rede arranjava-se solução, ligava-se duas, como ainda hoje – o peixe depois era repartido em partes iguais – quem ajudasse levava o seu quinhão
22:53 [são Macário de antigamente ] não era a festa que é hoje, o são Macário de hoje é uma feira, são saltadeiros ? e ? a vender – naquele tempo a festa era religiosa – vinha gente de todo o mundo por esse vale abaixo – (antigamente vinham a pé e traziam a sua merenda) – hoje em dia não é preciso, há lá comes e bebes com fartura –
23:49 [nomes dos vários poços do rio de nodar] da ribeira para baixo, da ribeira de Ester da terra daquela (? ): o torto, a barquinha, o charco, em baixo, as cavernas, ali em cima, o portieiro, a lapa, a baixo, o barroco , a pedreira, o poço do barco, a barrrela, o pagalhão, o pego doce, a lagoada velha ?, o poço do abade, a corredoira, o poço do barco outra vez, a frieira, já vamos na ameixosa, o carvalho as sapeiras o piais , poço de barco outra vez, matosa, morteda, foz de cabril
25:20[poço do barco] são 3 porque durante algum tempo deu jeito ao barco ? – em rariz há lá um no fundo da várzea e nós tivemos lá um barco para fazer a passagem para cada lado, era um tostão para cada lado, 10 cêntavos, quando era o escudo – Aqui também, lá em baixo na frieira havia lá 3 barcos para os passageiros, para as povoações que queriam passar de lá para parada para meã para cabril, por isso tinham que ter um barco –
26:09 [ se há ditos e rezas ligados à pesca] não, em relação à pesca, chegava-se lá, via onde havia peixe e depois uma rede de um lada outra do outro depois toca a juntar a rede e o peixe saia, pescava-se de mergulho, com pé, conforme o nível da água, e quando era para os fundos era com a jangada, com as cortiças, um barco de cortiça, um molho de cortiças enquadrado e andavam em cima delas – cortiça da zona e de janardes, iam a janardes – em nodar também há cortiça e sobreiros – punha-se a cortiça nas redes para fazer bóias para erguer a rede.
27:21 [ a mostrar a rede ] ponha-se um bóia de cortiça no meio, enfiava-se na corda e depois encalávamos o pano e a bóia ficava aqui – usava-se chumbo para ir ao fundo, ainda hoje há com pedras, pardelhos de armar – comprava só o pano e depois punha-lhe o resto cordas inclusive –
28:15 [ de que tem saudades ] do rio, ainda hoje continua a lá querer ir mas não pode – o ano passado pagou uma multa, 375 euros, mas eu tinha o ganho já há muito tempo – foi um vida ligada ao rio, desde os 10 anos que andava por ali a baixo – foi o seu pai que o ensinou a pescar pois já pescava – continuou a tradição de seu pai e avô que já pescavam em rariz.
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