Carlos Almeida recorda uma máquina de cozinhar a petróleo que comprou usada aos 13 anos, enquanto trabalhava nas cerâmicas do tijolo em Águeda. A máquina, feita de latão e com algumas partes em cobre, era essencial para preparar refeições rápidas durante o curto intervalo de almoço, permitindo cozinhar arroz, massa ou batatas para si e para os colegas. Para Carlos, o objeto representa não só uma ferramenta prática, mas também a sua ousadia e responsabilidade desde muito jovem, numa fase de grande esforço e dedicação.

A máquina é também uma memória das condições difíceis de trabalho e da vida da comunidade na altura, marcada por pobreza e imigração interna. Carlos utilizou-a diariamente durante vários anos, partilhando-a com colegas e familiares, e guarda-a como uma relíquia carregada de significado emocional e histórico, simbolizando a vida de trabalho árduo e a solidariedade entre quem trabalhava nas cerâmicas.