César Almeida fala sobre um panelo de barro preto utilizado antigamente para preparar o café da manhã, feito de cevada e outras misturas, numa época em que não havia acesso ao café comercial. O utensílio, muito antigo e já usado por gerações anteriores, era colocado ao lume e fascinava as crianças ao verem o café a subir enquanto se mexia, criando uma memória afetiva e visual que ficou marcada na sua infância. Para César, o panelo não é apenas um objeto de cozinha, mas um símbolo das rotinas familiares e das pequenas alegrias do quotidiano.

O panelo também representa a escassez e a vida simples da época, em que cada utensílio tinha um valor prático e emocional, preservado com cuidado por necessidade e por carinho. Apesar de velho e sujo, mantém-se como uma relíquia artesanal, testemunho de tradições que já não existem e de memórias de infância ligadas à família, ao trabalho do pai e às pequenas experiências que moldaram a sua vida.