O Ramiro Ferreira recorda uma moeda de cinco escudos que lhe foi dada pela mãe em 1979, pouco antes de emigrar para a Suíça. A instrução da mãe era que ele devolvesse outros cinco escudos, o que cumpriu, e desde então guardou cuidadosamente a moeda, que se tornou um objeto de grande significado emocional. Mais do que o valor material, a moeda simboliza o cuidado, a generosidade e a confiança da mãe, representando para ele algo que o acompanhou e lhe deu segurança ao longo da vida.

Apesar de a sua vida ter corrido bem na Suíça, a moeda manteve-se sempre consigo, como um amuleto ou tique pessoal que lhe transmite força e tranquilidade. Ele compara a presença da moeda com a do telemóvel nos dias de hoje: uma presença que, embora simples, proporciona sensação de proteção e conforto. O valor real da moeda já não importa, o que permanece é a ligação emocional e simbólica à mãe e às memórias daquele gesto.