Emília fala da vida e práticas religiosas que ainda permanecem na aldeia de Oliveira de Sul.

[hide for=”!logged”] 00:00[capela de Vila do Espírito Santo] esta capela, conta a sua sogra que já tem 97 anos e já a sua avó contava, que essa capela era antigamente a igreja e depois fizeram uma igreja mais adiante – já lhe contavam há muito tempo que ali havia um cemitério e gente enterrada e depois passara-no mais para adiante.

00:31 [funerais] à frente vai a campainha acompanhada da bandeira e atrás vão os irmãos e as filhas uma de cada lado – vai um carro funerário e as pessoas – as pessoas vão a acompanhar o carro funerário – antigamente havia uma carrta que levava o caixão daqui para a igreja – onde está a casa de banho era a casa onde punham a carreta que era o carro com que se passava os irmãos – agora é um carro funerário e as pessoas vão atrás a rezar e a cantar porque o padre gosta de canções das missas dos defuntos – o presidente, o reitor e o tesoureiro que cuidam da irmandade recebem os dinheiros

01:38 [festas] [procissão]a festa do espírito santo é em Maio – em Outubro há a festa da Nª Senhora do Imaculado Coração de Maria – essa imagem foi um senhor que a trouxe, chama-se Manuel Bispo – trouxe-a quando Emília estava na África do Sul – há um andor e põe-se lá a Nª Senhora que nessa altura ia enfeitada com quatro lâmpadas para Veloso, isto no Sábado à tarde – no Domingo, vinha-se da igreja diretamente pela estrada – agora as pessoas têm pouca força e a junventude também tem pouca força portanto já não levam a lâmpada acessa, mas há uma procissão com muitas velas pois toda a gente leva uma vela na mão – põe velas daqui até à igreja e até à torre – as pessoas e os miúdos da catequese têm velas e fica tudo iluminado – as pessoas vão atrás e rezam o terço, no Sábado é a procissão para a igreja- no domingo de manhã traz-se a Nª Senhora de volta – nesse dia enfeita-se o arco e fica tudo enfeitado com flores- no outro dia faz se uma passadeira, põe se um terço, um coração, serradura, flores – faz essa passadeira para quando a Nª Senhora chega – não é sempre na mesma data, é sempre de 15 a 21 mais ao menos, calha nessa altura, 18, 19, 20, 21 de Outubro- o senhor que está em Lisboa trás as pessoas numa procissão e fazem uma festa muito bonita, são pessoas devotas de Nª Senhora que vêm cá – vai-se a Veloso, dá-se a volta a Veloso, a Nossa Sra passa lá a noite – antes de se ir reza-se o terço e celebra-se a missa – a NªSenhora passa a noite na igreja e no Domingo de manhã celebra-se lá uma missa e trás-se a procissão para cá com a Nª Senhora – as pessoas vêm de lá para cá e ainda fazem a passadeira – o arco fazem-no antes e a passadeira fazem-no no domingo de manhã – enfeita-se tudo com flores e as velas iluminam o caminho até à igreja – fica tudo iluminado com velinhas – quando o tempo está bom a passadeira mantem-se quando está chuva varre-se a serradura mais cedo – o arco fica uma temporada e depois a junta tira-o – quem faz o arco são as senhoras – À noite pede-se aos homens que se o punham no buraco e depois bota-se-lhe uma corda – pegam-lhe depois de porem uma corda que sai do arco para o levantar, com bucho com hera quando está em flor- espeta-se-lhes umas flores a enfeitar- a cruz tem umas lâmpadas que também leva flores brancas – há muitas pessoas que são associadas do Imaculado Coração de Maria e ajudam – umas trazem molhos de buchos, outras cortam -no e outras pessoas vão buscá-lo – toda a gente ajuda mas há umas que trabalham mais que outras – há pessoas que trabalham do principio ao fim pois estão mais habituadas –

06:06[capela]só há esta capela- depois há a de Santa Barbara- a de Santo Amaro que pertence à mesma freguesia – os irmãos são da mesma freguesia – são de Sul, Macieira, Ervilhal, Pesos, Adopisco- a irmandade vai a qualquer lado quando morre um irmão –

06:39 [sino] o sino é muito antigo – contaram-lhe que um dia o sino caiu e já nunca mais teve o mesmo som – o som era muito melhor que o que era – lembra-se de não ser automático, de quando ainda era manual – quando morria alguém iam lá fazer os sinais à mão – agora puseram tudo automático, já não havia quem tocasse o sino – o senhor padre Henrique pôs lá um automático – agora carregam num botão

07:15 [antigamente] [andores] antigamente havia muita canalha que tocava num sino 2 ou 3 semanas antes – toda a semana tocava o sino – depois vinham os andoreiros que arranjavam os andores que no dia do Espírito Santo saem muito juntamente com os guiões – os andoreiros vinham na quinta feira – trabalhavam quinta, sexta e Sábado – os rapazes estavam sempre a tocar o sino, tocavam a semana toda – o senhor que arranja os andores só vem no Sábado e já traz tudo arranjadinho – chega e só pôr os panos nos andores porque já traz tudo arranjado – Às vezes os da irmandade é que tocam –

08:13[São Macário] quando fosse para ir ao São Macário ia-se a pé – juntava-se um rancho para ir ao São Macário – toda a noite tocavam no sino a sogra de Emília que morava em Oliveira tinha que se levantar de noite porque não conseguia dormir com o barulho do sino –[/hide]