[hide for=”!logged”] 00:00 [Apresentação] Serafim Pinto Ferreira – 5 de Julho de 1951. Nasceu em São Salvador, Viseu. Vive em Oliveira do Sul desde os três anos. Tem dois filhos.

00:22 [filhos] Rui Ferreira 36 anos e Sérgio Ferreira 32 anos. Nasceram na aldeia. Foram baptizados em Sul.

00:49 [pais] só a mãe é viva. É Mª de Sousa Pinto e tem 92 anos. Não nasceu na aldeia tal como ele também não.

1:07[Oliveira de Sul] Gosta de viver na aldeia porque foi lá criado e sempre lá viveu. Acha que presentemente se vive bem na aldeia, e que a aldeia é sossegada. A aldeia tem boas condições para as pessoas lá viverem. Ainda vive bastante gente na aldeia, Oliveira ainda é das povoações mais populosas da freguesia. A nível de juventude Oliveira é a que possui um maior número de gente jovem.

1:57 [antigamente] Antigamente era muito mais difícil do que é agora, as pessoas trabalhavam todas na agricultura, agora praticamente estão todas empregadas fora. A maior parte da juventude trabalha fora da aldeia por isso é que se vê as terras todos do monte cheias de silvas.

02:23[o que mudou]nota-se que a população está cada vez mais idosa e há menos gente.

02:32 [escola]andou na escola. Fez a 4ªclasse, em Oliveira, no tempo em que havia 40 alunos em cada turma. As turmas eram separadas, a masculina e a feminina.

02:58 [trabalhos agrícolas] faz alguns, cultiva as terras que tem perto. Tem videiras, oliveiras? , trata do vinho .E trata de outras coisas para casa, batatas, cebolas.

03:20 [animais]não tem animais

03:26 [catolicismo]é católico não praticante. O padroeiro da freguesia é o Santo Adriano. O da aldeia é o Espírito Santo . A festa é na Verão no centro do Sul em Agosto. Depois há a festa religiosa do Espírito Santo que é no domingo de Pentecostes. Vem muita gente de fora.

04:17 [loja]A loja tem mais de 100 anos, há pouco tempo encontrou um livro de 1917. Já nessa altura faziam contabilidade, registo diário de apuro. A loja é da 1800 e tal, o estabelecimento é de um padrinho dele, já era de um pai dele e pensa que já era de um tio do pai dele. Antigamente vendia-se roupas, estas prateleiras era tudo roupas que vinham em peças ?. vendia-se a metro. Foi a família que fundou a loja, já vem de gerações antigas, foi passando passando e já está quase a acabar. Tem os dias contados o comercio local.

05:20 [produtos]Agora há produtos novos mas antigamente vendia-se o indispensável. Alem das roupas era o arroz, o açúcar o bacalhau, não era os produtos de agora porque nesse tempo não havia. Vendeu sempre a peso, em balanças antigas com dois pratos em que se punha um peso de um lado e do outro, não é como agora que é tudo sofisticado. Os produtos compravam-se nos armazéns em São Pedro, já na sua juventude assim era. Vendia fiado e de que maneira! Muito fiado e alguns nunca chegaram a pagar, ainda aí há grandes débitos, grandes contas. Tinha um livro de fiado que ainda agora se usa, sempre se usou. Tem livros de fiado dos anos 30, de 1930 para cá, estão todos aí arrumados. Pagava-se a dinheiro porque antigamente não havia cheques nem multibanco.

07:08 [electricidade]não havia electricidade nem frigorifico. Na altura não havia produtos que precisassem de frigorifico. A partir de 1950 e tal é que começou a haver luz. Só a partir de aí é que começou a haver maquinarias como frigoríficos. Antes disse já nem é do seu tempo.

07:49 [os miúdos o que compravam] Compravam rebuçados, bolitos e lambesices.

08:00[as pessoas]Agora já não abrimos ao domingo mas antigamente abriam e as pessoas vinham e ficavam muito mais tempo que agora, está diferente a vida do dia a dia.

08:22[os produtos]A organização dos produtos era quase idêntica à de agora. As prateleiras foram actualizadas mas de resto as prateleiras de madeira antigas era quase tudo assim.

08:38[objectos antigos]Antigos há muito poucos, a maior parte já nem deixam cá ter, foram postos de parte, estão guardados. As balanças por exemplo, a balança decimal. A única coisa antiga que tem é a prateleira antiga.

09:09[vinho] vendia-se vinho também, o vinho era da zona, antigamente vendia-se a partir do barril mais tarde passou-se para garrafões. Hoje já tudo mudou .Não são os hábitos que eram.

09:40 [São Macário] Vendia-se bastante nessa altura, a pessoas que passavam a pé. Mas agora já não é o que era, já passa tudo de carro, mudou tudo. Hábitos ligados ao São Macário: as pessoas juntavam-se todas às tantas da manhã, juventude em grupo para depois ir a pé.

10:21[histórias com clientes]há muitas histórias mas nunca ligou muito a isso. Há historias de clientes que bebiam bastante. Às vezes há pessoas que passam a pedir direcções mas é raro.

11:22[novos produtos] há muitos produtos que antigamente não existiam. Detergentes, shampoos, produtos de limpezas, há muita coisa que antigamente não existia, antigamente havia apenas o indispensável. Hoje vende-se pouco de tudo, muito pouco. Quem vem à mercearia são pessoas da terra e geralmente pessoas de idade.

12:18[rancho]não dançou no rancho, nunca foi dançarino.

12:27 [ir a São Pedro] iam a cavalo ou a pé, era quase sempre a pé, não havia transportes, havia muitos carros de vacas. Agora não há nenhum.

12:55[histórias e lendas] Desconhece.[/hide]