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00:13 [pães] [feitura] [pão podre] tem cinco quilos – cada quilo dá 4 bolos – dá uns 25 bolos – põe-se a farinha – cada quilo de farinha leva uma dúzia de ovos – leva meio litro de azito, metade de um vaqueiro – leva cada quilo 25 gramas de fermento de padeiro – leva canela, sumo de limão – em 5 quilo põe um quilo e um quarto de açúcar – é amassado e quando chegar ao cimo da celha tem que se botar todo para baixo – depois há de voltar ao cimo da bacia e quando lá chegar vai para o tendal – depois vai para o forno, é cortado com a tesoura e leva um pouco de azeite na rachinha que se faz – faz se duas cruzinhas põe se um pouco de azeite e vai para o forno – o forno é quente com carqueja, é depois varrido o forno e limpa-se com um pano molhado – depois bota-se farinha no forno até ficar branquinha, se não queima-se – antigamente também era assim, toda a gente cozia pela Páscoa – Zeza volta e meia coze um folar não apenas pela Páscoa – os ovos são caseiros das galinhas – na Páscoa põe se sempre um bolo e amêndoas na mesa – em Sequeiros chama-se-lhe Folar da Páscoa – há quem faça pão podre, que leva cada quilo de açúcar uma dúzia de ovos e litro e meio de azeito e dois quilos de açúcar – a diferença é que leva mais azeite, açúcar e leva mais tempo a fintar – antigamente levava muito tempo porque não havia o fermento do padeiro era com fermento de milho – cozia-se o pão de milho e deixava-se o fermento azedar e cozia-se com esse fermento – levava um dia inteiro agora não – antigamente nem trigo havia – vinha a tia Conceição de parada com um jarro de trigo à cabeça e ainda levava trigo de volta – ninguém comprava trigo era tudo a par de milho, não havia dinheiro só os ricos compravam – davam ovos em troca de trigo para comer uma sardinha – a peixeira com a canastra do peixe à cabeça levava ovos – antigamente diziam que vinha o furão dos ovos que era o padre que levava os ovos – o sacristão e o padre –

06:12 [Páscoa antigamente] [Hermínia ]antigamente era ao Domingo em Cinfães do Douro, era de Vale de Papas – Zeza diz que era à segunda-feira mas Hermínia diz que em Vale de Papas era ao domingo, que havia um cego que vinha tocar – canta –   Zeza diz que a sogra devia ir para os cantares – andou a dançar em Vale de papas e tinha lá um irmã que cantava muito bem – o ceguinho começou a cantar – canta mais -falam da chula – é Hermínia de Jesus e nasceu a 6 de Janeiro de 1923 – Casou em Sequeiros por causa do pai – o pai tinha uma azenha, trabalhava para ele na azenha – tinha uma irmã que casou – disse a Hermínia que a sua irmã tinha umas terras em Sequeiros e perguntou-lhe se queria ir para elas – antigamente tinha que se trabalhar nas terras porque não havia mais nada – o pai veio para Sequeiros mas morreu depois de 4 anos – foram-se criando a trabalhar muito – lembra-se de onde veio – antigamente as mulheres fiavam muito – faziam umas teias e havia uma tecedeira – era meadas – havia fome mas havia mais alegria e bailes -agora quem tem tem quem não tem não tem –

12:00 [Hermínia ] [Sequeiros] andou a guardar vacas à beira do rio Douro – tinha que descer o montemuro até lá abaixo – a gralheira é muito longe

12:55 [Páscoa] [reza ] Deus te acrescente como o milho da semente ámen – quando se semeia o milho ele cresce nos campos – para o folar é igual – vai ao forno, as pessoas benzem-se e dizem a reza – encosta-se a porta e deixa-se ficar – antigamente o padre vinha a pé, fazia tudo a pé – no tempo da mãe de Hermínia o padre vinha de Nodar para cima e não vinha pela estrada porque naquele tempo não havia estrada – vinha por ali acima e vinha a sogra de Hermínia que namorava com um rapaz de Nodar – chegou a um certo ponto em que lá vinha o padre e diz à mãe de Hermínia que lhe comprava uma saia nova – a mãe disse que não precisava – disse que quem precisasse de uma saia nova que fosse ao confessionário porque o padre estava a dar uma saia nova – foi -se embora e já não quis saber – uma outra vez que já estava casada -? a mãe tinha a mesa posta e à porta pegou na cruz ? e disse que ia ao tribunal –

15:53 [padre] era o padre antigo – era o padre António – a mulher de Nodar era a sogra de Hermínia – era a mãe da tia Otília – ela morreu vai fazer 29 anos – foi convidada para o casamento e morreu pouco tempo depois

17:20 [feitura][sêmea] [moinhos] já tinha a farinha o sal e o fermento – agora os ovos – e agora desenfarinha – depois o azeite mas não é já -está a desenfarinhar e a mistural os ovos com o azeite o fermento e o sal – estão lá 7 quilos de farinha e 6 dúzias de ovos- se for preciso mais põe-se – a cada quilo pertence uma dúzia – há farinha que não leva tanto ovo depende da marca da farinha – antigamente semeava-se o trigo em grão e ia-se moer ao moinho de barroco – havia uma moagem lá em baixo na Paiva – depois era peneirado com duas peneiras – saia a sêmea do trigo que é o mais grosso e cozia-se a sêmea – com a farinha mais fina é que se cozia o trigo – a sêmea era a mais grossa e servia para os folares – o moinho pertencia a sequeiros mas era à beira da Paiva – levava o trigo às costas para ir lá moer – era na levada de baixo no corteeiro -ia lá muitas vezes – ia com dois alqueires à cabeça – punha o moinho a moer e ia-se embora e ficava a moer toda a noite – de manhã ía lavar o moinho – de manhã ía lá varrer o moinho -amparava o moinho – quando lá chegava já estava em bão, já batia na pedra já tinha moído tudo – depois trazia-se a farinha moída às costas – botou-se azeite e manteiga misturados -7 quilos de farinha, 96 ovos, um litro de azeite e meia de vaqueiro, um quilo de açúcar – tudo isto para fazer uns 30 bolos – usa a massadeira antiga da casa – leva canela, o que se quiser botar e limão bota-se um – espreme-se lá para dentro – a forma de amassar é diferente em relação ao milho – esta custa mais porque se agarra às mãos – antigamente quase todas as pessoas coziam -já no tempo da avó de Zeza – a avó era a única padeira da aldeia – a farinha pertencia às pessoas que semeavam trigo, quem não semeasse não tinha nada – amassa a mistura –

27:23 [dá os últimos toques] diz que faz uma omelete com salpicão –

32:50 [amassa ] depois de se amassar fica a massa lisinha – diz que quando morrer ainda hão de chorar –

38:00 [cantam]

39:48 [fase final]a que está em cima da mesa está no tendal para ir para o forno – tem que estar um bocadinho no tendal, uns 10 minutos até cozer o outro – não levou nada por cima, foi tendido com farinha – a parte de cima tem que ir para baixo – a parte de cima fica em cima da pá – se se puser a parte de cima em cima da pá ele em vez de crescer para cima cresce para os lados – põe se tendelo por cima, corta-se a massa e depois tem que se o rolar – há bolos mais pequenos que outros mas depois cresce – mostra como se enrola – faz se uma cruz e bota-se azeite lá dentro –

45:35 [tendal] o tendal também leva farinha em baixo para não se agarrar – diz que já está há muito tempo no tendal –

46:00 [forno]fica no forno até cozer- meia hora, 10 minutos -esse teve um quarto de hora – tinha metido antes de as pessoas chegarem – a porta do forno é só encosta não é tapada – a quantidade que cabem lá dentro é conforme – estão lá dentro 12 – tem que se tirar a tempo para não queimar – pode tirar que está cozido – há uns mais pequenos e outros maiores – dá para ver que está cozido pela cor – tira os folares do forno – a pá é em madeira e é lisa, tem que ser assim – mostra a pá para tirar as broas que é em ferro – para pôr as broas é uma em ferro – mostra uma para tirar e pôr os folares – as de ferro agarram-se e aquelas não – bota-se farinha para não agarrar – diz que já está cozido portanto descança-se para comer depois – diz que pode comer mas está quente – mostra como gosta dele – diz que se faz um tipo de folar tal e qual o trigo do pão dos padeiros que zeza também faz – é amassado em água e sal não leva açúcar – é pão de padeiro não leva óleo – há só com ovos sem açúcar – diz que as pessoas não gostam sem açúcar –

51:40 [zeza] Maria José Martins – nasceu a 4 de Setembro de 1964 – vai fazer 49 anos- diz que está velha – uma senhora diz que é mais velha que o filho 4 anos – que nasceu na véspera da nossa senhora de Remédios – diz que andou com Luís ao colo – nasceu em fonte de vila – estavam lá os dois com a mãe, pequeninos porque era dois – era a mãe a dar mama a um e o outro a chorar -morreu com 58 e a mãe de Zeza também – agora vai varre-lo com um vassoiro – primeiro tira-lhe as brasas para fora e depois passa-lhe um pano à farinha branca – quer mais duas carquejas – a água é pouca e já não é preciso muito – se a Emília não cozer hoje coze amanhã – vale mais amassa-lo amanhã – quando tinha 10 anos e vinha da escola a avó ia para Rariz porque tinham lá caseiros – disse que a água estava ao lume e que peneirasse a farinha – põe sal numa tejela – punha fermento e amssava o pão e depois a avó ia bota-lo no forno – amassou o pão e a avó ja nunca mais vinha – o avô disse à avó que se o pai não tivesse bom que não dissesse nada – que comesse para ganhar bicho – a partir daí cozeu sempre o pão sozinha – ficou sozinha essa vez tinha 10 anos – agora vai tirar as brasas – vai pôr farinha agora para não queimar – para conseguir enxergar senão não vê- assim a farinha já não queima –

 
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