[hide for=”!logged”] 00:00[apresentação] [pais] Maria do Carmo Rocha Martins – nasceu a 27 de Abril de 1964 em Sequeiros – a mãe era de Posmil o pai era de Sequeiros – o pai era Salvador Lourenço Martins e a mãe Maria Clotilde da Rocha –

00:40[casa][família] a casa era em baixo no canto – era a casa da família do pai- a família do pai era do Porrinho – eles tinham família em Soles – o pai veio de lá para Sequeiros porque tinha lá um tio – a mãe pertencia aos Da Barba- casaram -se e ficaram ali a viver – o pai do seu pai era de Porrinho, uma quinta antes de se chegar a Soles – de uma casa chamada Porrinho – o avô veio para Sequeiros e casou-se com a avó que era da família do Da Barba, da tia da Ilda – ficaram na casa da família –

00:55[famílias de Sequeiros] [avô] [irmãos] Havia os da Quintã, os Penedo, Da Barba – a família do marido tinha poucas propriedades e poucas terras -o avô vendia lã em Covas do Monte – era também cardador – O avô chamava-se Casemiro e ainda foi ao casamento da irmã de Maria do Carmo em 82 – lembra-se que era já velhote – a mãe fez uma casa e quando o avô se mudou para lá já estava doente e a mãe tomou conta dele – tem mais dois irmãos – a Maria Emília e o José Augusto – a irmã é mais velha um ano e meio e o irmão 5 anos mais novo

03:45 [infância] estava em casa e ajudava a mãe a fazer a comida e a tratar da casa – o avô não era caseiro mas a mãe quando se casou trabalhava em terras de fora – trabalhava na terra do tio de Luís – trabalha em Roriz e na Cancela – Maria do Carmo ajudava e regava de noite – ia com os pais ajudar de noite – a irmã ficava mais em casa porque era doente e ficava a tomar conta do irmão pequeno -ficavam a tomar conta dele em pequeno – Maria perguntou à mãe porque queria um menino quando o irmão nasceu – o irmão nasceu já cinco anos depois de Maria quando já tudo estava organizado – nasceu em casa – a parteira foi a tia Joaquina Cipriano, avó do Fernando que está casado com a Ilda- ninguém ia para o hospital, tia Joaquina é que ajudava as pessoas -quem fazia os registos dos bebés era Gilberto, em São Martinho – o Manel perdeu um ano na escola por se atrasar no registo-nasceu em Dezembro e foi registado em Janeiro -as pessoas tinham que ir logo lá a cavalo ou a pé – o pai já sabia quem tratava disso porque a mãe era do outro lado -sabia que era Gilberto que tratava disso e disse que ia lá com a miúda –

06:37 [escola] [patela] dava-se bem com os rapazes e raparigas – quando se chateava com um rapaz entendiam-se no recreio – era uma brincadeira – eram bastantes uns 9 ou 10 – a professora era Maria da Graça de Sete Fontes, mulher do Alfredo-era boa professora e ensinava bem -tinha os seu dias às vezes era exigente – faziam rodas, cantavam, brincavam à patela – patela é uma brincadeira com uma pedra que se atira para quadrados no chão – a pedra tinha que calhar no meio se saísse perdia-se – desenhava-se os riscos no pátio com giz – explica como se jogava – jogavam ao avião e à patela – faziam rodas e cantavam – os rapazes jogavam à bola atrás do recreio e jogavam pião – as raparigas ficavam mais no pátio –

09:28 [rancho] [escola] [casa]nunca andou no rancho – na altura da escola o rancho já tinha acabado -o tio Zé formou o rancho mas nunca foi para lá – eram mais os grandes que andavam no rancho – quando saiu da escola aos 12 anos foi servir para casa do tio Zé da Quintã – esteve lá até casar aos 20 anos – assistia aos ensaios no clube – quando faltasse alguém subtituía mas era muito raro – o rancho desapareceu porque quando foram a São Martinho o palco caiu e nunca mais se fez nada – fizeram o palco em São Martinho mas não estava seguro e foi abaixo – foram depois a São Pedro mas enganaram-se numa moda e desistiram – também havia problemas entre os pares e desistiram do rancho – quando andava na escola fazia muito trabalho porque ajudava a mãe e ainda ia para a escola da parte da tarde – ia levar o almoço à mãe que fazia quando tinha 10 anos – fez isso até aos 12 anos – andou até ao 6o ano – já sabia cozinhar mais a irmã -aprenderam com a mãe de estar ao pé dela – a irmã era da idade de Maria do Carmo com quem discutia por causa do almoço da mãe – Maria do Carmo ia porque tinha tempo – ia pela estrada fora até que chamava pela mãe que vinha ter com ela -levava um cesto com a comida – a mãe estava com o pai a sachar o milho -faziam as terras todas de Rariz – regavam, iam de manhã e vinham à noite -tovavam conta do irmão e fazia a comida – fazia os deveres à noite com a luz da candeia pois não havia eletricidade que veio mais tarde – dormia com a irmã e o irmão dormia com os pais – tinham uma cama mais pequena para ele – primeiro usava um berço onde sa irmãs o punham e tiravam de modo que depois até diziam que o irmão tinha ficado maluco por causa disso – era um berço redondo de madeira – estavam sempre na brincadeira com ele –

13:30 [rezas]rezavam o terço à noite- se se começassem a rir o pai batia-lhes – a família era muito religiosa – havia uma mesa de parede que se baixava para comerem à lareira à noite – comiam lá e depois não saiam ed lá enquanto não rezassem os terço – por vezes riam-se e o pai sempre atento – depois do jantar rezavam sempre o terço – o terço eram nove avé marias e cinco pais nossos – a mãe tinha o terço na mão e os filhos respondiam – os pais diziam metade e os filhos diziam a segunda parte-iam sempre à missa na igreja – o pai nem tanto mas a mãe continua a ir à missa –

15:41 [pessoas mais velhas de Sequeiros] havia o ? que já é velhote -que murava ao pé deles – a mulher dele -a tia Ilda- os da Quintã também tinham gente velhota – Maria a mãe do tio Manel – morreu com cem anos a Custodia a cunhada da Deolinda – Carolina do Aido – a filha foi para o Brasil ela esteve sempre em Sequeiros –

17:18 [catequese] não se lembra quem dava a catequese mas era em São Martinho ao domingo quando iam à missa -em Sequeiros também davam catequese mas isso foi mais tarde – quando iam a São Martinho – quando iam a São Martinho aprendiam mas era em casa de aprendiam mais com pais -ensinvam o Pai Nosso e Avé Maria – não tinham nenhum livro era tudo de cabeça – não tinham nenhuma bíblia – a ordem da missa decorava-se – quando iam a São Martinho também aprendiam com o padre o resto era em casa – em pequena nunca teve nenhum livro sobre a bíblia ou sobre Jesus – era os pais que ensinavam -apredia-se ouvindo – o padre em pequena era o padre António, morava em São Martinho, teve lá 40 e tal anos – era uma pessoa boa, trabalhava nas terras, tinha gado, a tia estava lá com ele a trabalhar como empregada- tinha lá um aviário com frangos – criavam para eles – tinha trator labrava terras – as pessoas gostavam dele, era um agricultor como os outros -ainda era novo – sempre o conheceu alto e magro -as crinaças não tinha medo dele -conviviam com eles e com a tia Emília que era lá empregada e foi para lá de Posmil – estava em casa sempre fazer nada e a avó despachou-a para lá – trabalhava nas terras e fazia comida para o padre até ele ter saído -agora está num lar e a tia está na casa da avó em Posmil -nao é casada nem nada –

20:40 [festa] a festa era normal como é agora -nao havia muitos conjuntos – faziam a parte religiosa a procissão e punham música até ao fim da festa -Maria não ajudava muito -havia mordomos e mordomas – as mordomas ajudavam os mordomos na capela – a Maria Brasileira ajudava muito o padre-o padre na altura tinha o seu ritmo e então fazia ele as coisas-as pessoas iam só ouvir a missa não andavam muito ao pé do padre como agora –

21:54 [adolescência][namoro] [casamentos] [filhos] fez até ao segundo ano em Sequeiros sempre a ajudar os pais na terra – quando saiu da escola foi para casa do tio Zé até se casar até aos 20 anos – trabalhava nas terras, tinha trator vaca e cabras -começou a namorar na casa dele – namorou o Valentim que morava em Sete Fontes -e namorou com o Manel- quando namorou Valentim que estava em Lisboa escreviam cartas – ele ia às festas- o Manuel também estava em Lisboa e começaram a namorar – quando começou a namorar tinha 16 anos – ele estava na tropa em Lisboa – é mais velho 3 anos -depois da tropa foi para a guarda e casaram- quando foi para a guarda foi para o Alentejo – casou-se na igreja de São Martinho e o almoço foi em São Félix – depois foi para o Cercal no Alentejo – teve lá bastante tempo – depois ainda foi para Salvaterra de Magos -depois para a Lousã, santa Comba Dão -ficava lá e vinha ao fim de mês – junta várias folgas para poder vir três ou quatro dias -depois do casamento saiu da casa do tio Zé e foi para a casa- da família- a casa deles foi mais tarde quando se casaram – a casa era de placa – depois nasceram os filhos e passaram para a outro lado da casa – primeiro fizeram uma parte da casa e depois outra -a vida foi sempre nas terras

26:05 [filhos] os filhos iam com ela para as terra, a Joana nem tanto mas o Tiago ía, quando não ia para a escola levava-o com ela -andou na escola em Sequeiros, fez lá o sexto ano e de lá foi para São Pedro do Sul para o liceu e de lá com o nono ano foi para Carvalhais-

26:45 [vida nas terras] gosta ainda – não lhe interessava ir para lado nenhum – o marido ganhava fora e ainda pensou levá-la – mas ficou na terra para ajudar os outros -ele trabalhava fora e ela em Sequeiros –

27:15[grupo da igreja] tinham um grupo onde o tio Zé tocava – iam à missa e ens aiar e Maria habituava-se a ir – o tio Zé da Quintã era tocador e tinha um irmão o Lourenço e o tio António – os da Quintã era tocadores – tocavam nos bailes que fazia aos Sábados Domingos e em dias de festa – o clube era um casa onde faziam os bailes -é na refundeira onde tem uma casa da tia Olinda que uma senhora de Lisboa comprou – nunca mais fizeram lá bailes e fizeram uma casa de habitação – ouvia o tio Zé ensaiar, havia lá um mercado e ia a Rosinha e a tia brasileira – iam para casa do tio Zé para a igreja onde iam ensaiar e Maria estava lá a ouvir e a participar mas com 12 anos tinha pouca voz depois é que começou a ir mais vezes -o tio Zé e o ti Lourenço tocavam violino – o tio Fernando da Quintã era baixo e o tio António viola -lembra-se dos bailes todos poque iam com os tocadores –

29:00[tio Zé]trabalhava na agricultura – veio já reformado de Lisboa porque era lá policia – a mulher era costureira e depois vieram para Sequeiros já reformados e dedicaram-se à agricultura e às terras que tinham –

29:24[bailes] nos bailes ia com os da Quintã – com as missas também ia para fora, por vezes ia para Covas do Rio cantar na missa – por vezes convidado pelo ti Zé – por vezes não tinham tocadores lá e pediam para irem mais as mulheres – tem o livro na capela – o livro é da capela é o padre que oferece

29:56 [cântigos] [rezas] [padres] cantam o que quiserem cantar – há um cântigo de entrada – há vários cântigos – há outro cântigo do furtorio?, quando o padre prepara as hóstias – e há os cântigos da comunhão -há também o cântigo do final de quando se acaba a missa que agora não se canta mas quando era tocado tinha que se cantar tudo -há 4 momentos – antes cantava-se o Pai Nosso, agora não, cantava-se os santos quando havia festa – cantava-se do principio ao fim quando era missa cantada -cantam os santos quando o padre dá a hóstia -canta o cântigo dos santos -diz que os Santos é rezado mas também cantado – diz que o ti Zé dava o sinal no violino – dava o tom no violino -canta o Pai Nosso -era o ti Zé com o violino no Pai Nosso – os outros irmãos não participavam no Pai Nosso -era espetacular a missa na aldeia – enquanto pôde Ti Zé tocou sempre na missa-quando o ti António morreu continuaram os outros irmãos -sentiram muito a falta deles quando morreram -mais tarde já não podiam tocar e até iam a São Martinho -tocavam com a professora Cidália na missa que tinha um tom particular para cantar – O tio Zé já sabia bem as modas porque eram idênticas às de Sequeiros e a professora tocava no mesmo tom -nem precisava de ir aos ensaios, a professora seguia bem os ensaios e tocavam em São Martinho-as mulheres ensaiavam com eles à noite as modas de Sequeiros que o livro tem, que também tem as modas de São Martinho -o livro é o mesmo – em São Martinho inventam as modas ou mandam fazer – o padre vai mais a Sequeiros – ensaiam umas com as outras na igreja com a professora- sabem mais modas que em Sequeiros porque em Sequeiros são sempre as mesmas porque não têm outras modas ensaiadas -o livro é quase sempre o mesmo – as modas são sempre as mesmas e só algumas modas do livro é que estão ensaiadas -o livro tem muitos cântigos, do furtorio, santos dos fieis – o livro só tem letra – os padre ensaiam os cântigos que alguns já são muito antigos -há cântigos antigos que não estão no livro – há senhoras que sabem cântigos que outras não sabem mas seguem-nas sempre-sabem os cântigos antigos de cabeça, não é preciso livro, já os cantavam na missa – antigamente era o padre Mota que as ensaiava mas agora já não- o padre Mota era um baixinho, já foi há bastante tempo -esteve lá bastante tempo – o padre Policarpo também já morreu e ensaiava com elas – passaram lá muitos padres – os padres davam um livro e ensaiavam pelo livro – elas chegavam um pouco mais cedo para ensaiar -traziam já tudo decorado -o Ti Zé também ouvia e ensaiava com elas – agora as pessoas já não ligam a isso – ao Sábado algumas pessoas vão para Lisboa – não têm quem cante – a ti Maria foi-se embora e cantava bem – a ti Aurora também canta e já cantava antigamente- quem canta é praticamente Maria do Carmo e Aurora – as mulheres de Sete Fontes também ajudam mas não têm livro, seguem – a Donzília cantava mas diz que agora não tem garganta – Maria do Carmo diz-lhe para ela ir para o pé dela e para cantar mais devagar

36:46 [ladainhas]Antigamente fazia-se ladainhas, agora não -nao era no tempo de Maria do Carmo era num tempo ainda anterior -mais tarde fez uma ladainha para uma missa -nao sabe se foi com o padre Manuel ou com o padre anterior que pensou em fazer novamente ladainhas como antigamente -tinham que fazer perto do dia da festa a um Sábado -as pessoas começaram a fazer – iam pela capela abaixo, ao Aido – tinham uma mesa toda enfeitada com a Nossa Senhora – Dava-se a volta e ainda se ia a Sete Fontes direito à capela, no Sábado – depois acabou porque começaram a aparecer os conjuntos e as pessoas iam para os conjuntos e não iam para as ladainhas -ainda fizeram uns dois anos ainda era Maria Augusta viva, mãe do Américo -depois os padres começaram a deisitir porque não ia lá ninguém, ia tudo para o conjunto – a ladainha era uma reza, era o padre que rezava -rezava Ave Maria e Pai Nosso e dizia umas palavras – Dizia Santa Maria e as pessoas respondiam Rogai por nós -o padre dizia o nome dos santos todos e as pessoas respondiam Rogai por nós -era em português -começava-se a rezar o terço, o padre dizia uma parte e as pessoas a outra -cantava-se a missa – havia canções dedicadas à mãe, outras a Maio – era uma oração mas a caminhar – diz a oração a Santa Bárbara, Santinha Santa Bárbara para quando troveja- diziam que quando se tinha brincos de ouro que podia atrair os raios e então a mãe dizia-lhe para pôr as mãos nas orelhas – tinha-se medo quando vinha a trovoada das Covinhas que vem de São Macário para baixo – iam se embora com o gado porque era muito forte e ficava muito escuro e a trovejar -havia vigia com o gado e as pessoas iam se embora com o gado – as pessoas mais antigas não tinham medo mas quem era mais novo ia-se logo embora – os santos a que as pessoas ligavam mais eram Santa Bárbara quando trovejava – Santo António por causa dos animais – pede -se a Santo António para proteger os animais – diz o nome do santo para o animal continuar a crescer e não adoecer -Santa Bárbara é das trovoadas e Santo António dos Animais – as padroeiras da festa são Nossa Senhora do Rosário e o Mártir Sebastião – não sabe porque fizeram desse último santo, foram os antigos que o fizeram-a festa foi sempre em Maio – o Mártir Sebastião é em Janeiro -não sabe porquê, talvez seja porque antigamente a festa fosse em Janeiro e depois passaram-na para Maio – a Nossa Senhora do Rosário é a protetora dos casados – quando se vai a um casamento oferece-se um ramo à nossa Senhora do Rosário – é para proteger o casal que se oferece o ramo à Nossa Senhora em São Martinho – é em São Martinho porque tem lá uma imagem e se a pessoa se casa lá oferece-se lá o ramo à Nossa Senhora do Rosário – também há uma imgaem em Sequeiros – estão na capela, num pouso, quando saem dis andores vão para o pouso – os andores estão no coreto porque há lá um sitio para os guardar – um dia antes da procissão arranjam-nos e enfeitam-nos – antigamente era o ti Alfredo do mercado que enfeitava com fitas bonitas – depois começaram a dizer que não era muito prático e começaram a enfeitar com flores – as fitas eram como as do Natal, compravam estrelas e uns panos muito bonitos – tem fotografias dos andores arranjados – ainda há pouco tempo enfeitava-se assim – mas depois talvez fosse um padre que disse que aquilo não era bonito e passaram a usar flores – era o ti Alfredo do mercado que enfeitava sempre os andores -já no tempo em que era pequena era ele que enfeitava os andores para a festa[/hide]