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00:00 [Apresentação] Olinda Martins da Costa – nasci em Deilão, freguesia de Covas do Rio, concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu – é de 1934, nasceu a dia 15 de Agosto mas na papelada está a 29 de Agosto – não nasci aqui – está com o filho mas a casa para viver é em Sequeiros – é onde viverá mais um pouco pois acha que já não viverá muito –
01:06 [casamento] casou cá com Alexandre que era irmão da avó de Luís, irmão da Beatriz –
1:50 [festa São Macário] [cantar] [irmã]daquilo que é mais antigo não sabe pois não é do tempo da sua criação – a festa era uma romaria – agora em vez de festa fazem uma feira – antes dava-se a esmola e fazia -se a romaria – agora não lá vai porque não pode mas ainda dá a esmola – todos os anos dá enquanto poder – antes havia a ladainha de Covas do Rio e a ladainha de São Martinho – a igreja levava lá a cruz, de São Martinho e do Gafanhão – as pessoas juntavam-se todas e faziam a ladainha do povo de Covas do Rio e depois combinavam fazer a ladainha até ao cabo do povo para fazer lá a ladaínha – quando lá chegava a ladaínha de Covas do Rio todos se punham a olhar porque lá cantavam muito bem – era terra de gagos mas o gago a cantar não gagueja – e o manco a dançar não manqueja – cantava bem mas hoje já não canta – o sogro da filha diz que Olinda cantava bem, tinha muita voz na missa – agora já não canto – em Lisboa só foi à missa uma vez no domingo de ramos, ouvia a missa pela televisão – ouvia na tvi e no primeiro canal – ouvia a missa todos os domingos – gostava de ir à missa e de cantar – quando era nova cantava mais a filha nas terras a sachar o milho, andavam as duas a cantar, era o meu divertimento -gostava de andar a cantar, sempre a cantar. tinha uma irmã na Pena que cantava muito bem mas que agora está avariada da cabeça, com Alzheimer – era uma pessoa muito alegre, não tinha tristezas era uma alegria para ela – não se convence com a velhice mas tem que ser, tudo o que nasce morre
04:45 [São Macário] [milagres] é o padroeiro da cabeça – diz -se por vezes Santinho, São Macário nos dê juízo, por isso deve ser- ia todos os anos ao São Macário – eramos novas e iam na brincadeira e a cantar as ladainhas – ia a cruz de São Martinho, do Gafanhão e a cruz de Covas do Rio – as três freguesias iam lá com a Ladainha no dia da festa – a freguesia de Sul não sabe se ia alguma ladainha mas isso era em baixo – nós eramos tudo no São Macário de cima – tanto do Gafanhão, São Martinho e Covas do Rio – divertiam-se e era a festa que havia – foi lá com o marido, levavam uma merenda para lá comerem – se tivessem cabrito faziam assado ou borrego também faziam assado – se fosse frango também comiam – as pessoas juntavam-se punha-se a mesa e levavasse uma toalhas e comiam lá o lanche – levavam vinho e sumos e era um lanche, um pic nic – não sabe se o São Macário ajudou o marido mas Olinda pediu – o marido andou mal e depois melhorou – não se sabe como, é um segredo – o rancho daqui cantava a moda de São Macário -cantei lá em baixo mas já não me lembra
07:05 [rancho] [marido] [infância] [trabalho] [fé]lembra-se do rancho havia muitas modas – Olinda não andava no rancho mas o Alexandre andava, chegou a andar no rancho- Alexandre sabia tudo se ele fosse vivo contaria tudo – Alexandre era bom nas contradanças -marcava as contradanças e nunca se enganava – mas se fosse uma que não soubesse estragava tudo – na Aldeia de Sul há lá gente conhecida, Olinda foi lá criada até aos 15 anos com os tios – foi para lá com um ano – eles criaram-me e depois morreram – quando os tios morreram foi para o pé dos pais – lá era muito animada mas depois em Deilão o pai e a mãe tirou lhe a Ladaínha de entre as unhas -mas abriu-lhe os olhos – uma pessoa malandra não se governa – trabalhou muito e as pessoas que o digam com o carro das vacas a passar estrume – a ir buscar lenha sozinha – não percisava que ninguém a ajudasse – ia sozinha com o carro de vacas – para o Pereiro, e para Reriz que é perto de Nodar – trabalhei muito, os filhos dizem-lhe que já trabalhou que chegasse – há muita gente que morre de repente – pede a deus que não dê muito trabalho aos filhos – se chegar ao ponto de ser preciso dar trabalho pede a deus que a leve – que nos apanhem graça com deus – puro não há de certo – não é só rezar muito que vale o que vale é a fé e sermos bons uns para os outros e não ter inveja – diz que se vê muita gente invejosa – isso não vale de nada- vale mais ser se amiga uns dos outros porque se anda cá dois dias e não vale a pena ser se maus uns para os outros – tem a impressão que nunca foi má para ninguém mas não sei perfeito só deus nosso senhor – deus é que sabe quem é puro e quem faz o pecado – nós não sabemos nada – antes mandava nos filhos agora mandam os filhos nela -com a idade que tem, quase 80 – faço 79 em Agosto- diz que só passou boa vida recentemente – andava com a bengala e sacos de erva para as ovelhas – diz que lhe chamavam gananciosa, que não precisava de andar com aquilo – Olinda respondia que chegado a um certo tempo quem pode não quer e quem não pode tem que andar – os malandros governam se melhor que quem trabalha
11:37 [atualmente] está bem, perto dos filhos – esteve meio ano com a filha – o filho leva-a também – diz que em Lisboa se precisa-se de se ir embora que se safava mas lá não, é outra língua e não se orienta- não conhece ninguém – já foi uma vez de avião, já la foi duas vezes e não teve medo – a primeira vez que andou de avião foi para a janela – o filho telefonou porque era uma senhora com muita idade e muita difuculdade e então tinha uma pessoa a dirigi -la para o avião – o hospedeiro perguntou se não tinha medo de ir para a janela a primeira vez e Olinda disse que não porque como ia perto da asa se o avião caísse encomendava-se a deus – a nossa companhia era boa -vamos lá ver, deus queira que dê boa viagem a todos
12:55 [antigamente] andava-se a pé e de carro não era em muitos lados – de Deilão para São Pedro iam a caminhar, três e quatro horas a caminhar – só em sul é que havia carro, agora há carro em todos os lados – o pai ia a cavalo e Olinda na frente da burra – tinha a casa em Aldeia e ia lá à feira – o pai tinha algo para levar ou trazer e Olinda levava na burra – ia a cavalo e o pai dizia-lhe que quando chegasse ao alto até perto de São Macário que descesse mas ela não descia apertava a sarrilha, punha o corpo para trás e ia sempre a cavalo – diz que quem tem burro e anda a pé que mais burro é – deixa -me ir a cavalo
14:00 [hospital] [irmãos] no hospital queriam que dissesse anedotas – já não se lembra de muitas mas lembrava-se da do burro e ia lá fazer fisioterapia – pediram-lhe para contar a do burro – havia um senhor que tinha um burro e não tinha que lhe dar de comer – passado muito tempo o burro ia ficando raquítico – não comia deixou de comer e morreu – o homem disse que tinha passado muito sacrifício e ele acabara por morrer -queria que dissesse essa história muitas vezes -um dia estava a rezar o terço e quando viu a enfermeira pôs a mão por baixo do lençol e a enfermeira disse lhe que podia rezar que não se importava. que a senhora tinha vagar de rezar- Olinda disse que gostava de rezar – a enfemeira disse a Olinda para pedir a deus que lhe arranjasse um rapaz rico – Olinda pediu desculpa pela atrevimento e perguntou se a enfermeira queria um rapaz rico ou um rico rapaz -que um rapaz com aquela riqueza poderia não a estimar bem e dar cabo do dinheiro todo – o rico rapaz custava lhe a vida mas era poupado – Olinda disse que pederia mas antes pederia um bom rapaz – diz que está no cabo da belga a caminhar para o fim, chegando a 80 anos – tem uma irmã com 91 em Lisboa, a mais velha e tem 9 irmãos – eram 12 – eram 12 irmaos e morreram 3 – dois rapazes com 3 anos e uma miúda com quatro anos que já cantava os versos de Fátima – morreu com 4 anos de meningite a chamar pelo pai – foi no mês em que morreu o pai e no mesmo dia e na mesma hora – morreu toda direitinha mas não era no tempo de Olinda – mas a mãe contava-lhe, foi a chamar o pai – eramos 12 irmãos, foi no tempo em que não havia televisão
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