00:51 [filhos] casou -se em 1980 e tem três filhas – A primeira quando nasceu já estavam em Sul naquela loja a trabalhar, tinha 21 anos e a filha tem 31 anos, tem outra com 27 e outra com 17.
02:42 [trabalho] trabalhou um ano e pouco nas termas de São Pedro do Sul, num café- restaurante – Depois casou e veio para Sul trabalhar onde trabalha hoje – A casa onde trabalha é uma casa muito antigo que já estava aberta há muitos anos, era uma casa mercearia e casa de urnas, vendiam urnas para os defuntos. Depois fizeram um café e as urnas passaram para cima, tudo isto no tempo da dona Alzira e Maximino – Quando foi trabalhar para lá já era um café e mercearia como é hoje mas vendia outras coisas – Os antigos donos era da terra e ela de São Pedro – Já morreram mas o filho continuo vivo – Ele morreu à 30 anos e ela à 3- A dona Alzira é que trabalhava aqui porque ele vendia madeiras e tinha um aviário – Tinha contato com os antigos donos pois eles sempre moraram no andar de cima do café, como o filho ainda lá mora visto que o prédio ainda é dele – Na altura havia os trespasses e o café foi trespassado à Maria Emília –
5:07[O café] Na altura a dona Alzira adoeceu e quiseram trespassar o café. Por coincidência estavam lá os primos dos actuais donos que tencionavam vir de vez da Dinamarca e ficaram com o café mas não chegaram a ficar lá um ano porque não gostavam – então o primo dela começou a tentar arranjar quem fosse para lá tomar conta do café. Então a Maria Emília ainda esteve um ano a tomar conta do café sendo do primo porque ele soube que a Mª Emília estava casada e que vivia em Oliveira – passado um ano o marido da Mª Emília fez lhe a proposta aos primos de ficar com o café e então ficaram com o café, há já 31 anos, desde Janeiro de 80 – Custou-lhe um pouco a habituar-se mas acha que na vida se tem que fazer cedências pois em Sul tinha as suas filhas que criou praticamente dentro do café, nunca precisou de ajuda apesar de ter a família muito perto – A Mª Emília costuma referir que achas que as filhas não vão conseguir viver se ela alguma vez sair do café por estarem habituadas a vê-la naquele lugar – então ao mesmo tempo que trabalhava criava as filhas – as filhas tinham sempre a mãe à espera delas ao contrario do pai – Não tenciona sair do café só se as coisas derem para o torto mas ela não é pessimista – Gosta do que faz e de fazer tudo sozinha – O marido trabalha fora e quando está em Sul não se mete porque a Mª Emília não deixa – diz que sabe os as coisas estão e que vai buscar qualquer coisa de olhos fechados, é muito organizada e não tolera que não sejam
9:15[relação com as pessoas] gosta de se dar com as pessoas mas não se dá com toda a gente – com as pessoas com quem não se dá diz apenas bom dia e boa tarde porque diz que há pessoas realmente impossíveis de manter relações –
9:43 [lembranças de situações na loja] [filhas] lembra-se de coisas giríssimas com as filhas e com os clientes – As filhas foram criadas no meio das pessoas – explica uma situação que era muito engraçada – A filha soraia era a mais malandrinha – refere que as filhas não andavam sozinhas na rua quando era pequenas tal como a neta porque a estrada e os carros são perigosos – Refere que as filhas têm personalidade muito diferentes –
11:00[família]A maior parte da família vive em Oliveira mas também tem família em Sul porque a avó era de lá – O pai já faleceu e a mãe ainda é viva, tem 82 anos – O pai emigrou quando Mª era muito nova, foi para França – Quando o pai vinha a Oliveira trabalhava nas terras onde a mão sempre trabalhou – O pai ficou muitos anos na França, quando a emigração era muito difícil, mas vinha a Oliveira todos os anos no Natal – quando o pai vinha à terra ficavam muito felizes mas nunca se perdeu o vinculo, nunca estranhou e o irmão talvez também não tenha estranhado mesmo sendo bem mais novo – quando o pai ir embora era uma grande tristeza – comunicavam-se apenas por carta, tanto a pai como o pai escreviam – o dinheiro que mandava era através de uma espécie de vales que eram depois trocados no banco – a mãe sempre foi muito equilibrada com o dinheiro. Nunca os seus filhos passaram fome como muitos da sua idade passaram – A mãe trabalhava muito e ainda hoje trabalha- com o dinheiro comprou a pronto umas terrinha para não ter que andar a pagar aos poucos aos proprietários ricos da terra que também a empregavam – Comprou-lhe então as terras que depois trabalhava e tinha a casa onde fez obras – A mãe orientava-se bem e era muito boa gestora – Os seus pais transmitiram -lhe esses valores e a Mª também os transmitiu às filhas e pensa estarem a funcionar – Acha que os pais eram boas pessoas – Os pais nasceram em Oliveira de Sul, a avó é que era de Sul mas foi morar para Oliveira –
15:51 [emigração] O seu pai foi o único caso de emigração na família – trabalhava perto de paris em França a fazer estradas- diz que o trabalho era muito duro mas que o pai era uma pessoa muito forte – diz que na altura a emigração era feita de assalto e que depois moravam todos juntos em barraquinhas – diz que a emigração eraa feita à semelhança dos imigrantes que entram em Portugal clandestinamente. Depois de lá estarem é que conheciam alguém que os ajudava a arranjar papeis
17:22 [antes do euro] a ela não lhe custou a transição e aos filhos também não – custou sim às pessoas de mais idade e ainda hoje muitas pessoas se enganam – já muitas pessoas se enganaram na loja dela com essa questão dos euros
18:09 [a freguesia de sul ] A freguesia é muito grande – Sul é mais ou menos um ponto de passagem, é onde as coisas estão mais centralizadas, a junta, os correios, o médico
18:35 [relação com as pessoas ] diz que tem ligação com toda a gente – diz que tem amigo e inimigos também – diz que não se pode agradar a toda a gente por mais que se queira mas diz que isso é um mal menor.
19:03 [A escola] Na altura entrava-se na escola com 7 anos e fez a escola primária em Oliveira – Na altura ainda havia as escolas para meninos e escolas para meninas – O quinto e sexto ano fez na tele escola em Sul – Lembra-se de muitas coisas desse tempo principalmente de Salazar porque já tinha 14 anos quando se deu o 25 de Abril
19:44[Salazar] [escola] Eram muitas as exigências no tempo de Salazar – Diz que desde essa altura as coisas mudaram efectivamente muito, de 8 para 180 porque na altura as crianças eram obrigadas a obedecer e hoje as crianças não obedecem – Na altura em que andava na escola ainda se usava lousa e giz mas já havia livros, que partilhou com a irmã. Com o irmão já não pode partilhar porque o irmão já nasceu noutra altura – Sempre foi a pé para a escola tanto em Oliveira como em Sul – A escola começava às nove horas e na escola em sul começava de tarde – os professores eram muito exigentes e batiam nos alunos – a professora era a Lucinda mas era má professora e já era velha – como já não tinha força para dar reguadas mandava os colegas darem reguadas uns aos outros – havia muitos castigo, diz que a escola era muito complicada, havia uma professora para rapazes e outra para raparigas – As escolas em que andou em Sul e Oliveira ainda hoje existem
23:07 [Infância] Brincava as brincadeiras normais do tempo: escondidas, cabra cega e pedra aos quadradinhos – ninguém tinha brinquedos na altura , brincava se com qualquer coisa que desse para brincar – na altura havia muitas crianças na rua para brincar – por vezes levava na lombas ? porque n fazia o que tinha que fazer para ficar a brincar – eram muitos miúdos na altura
24:22[Actualmente] [os miúdos] agora os miúdos ficam em casa a brincar no computador, metem nos em ginásios, já ninguém brinca como brincava – em sul há muito poucas crianças, a população esta´muito envelhecida como em muitas aldeias
24:55 [casamento] lembra-se do dia de casamento, 2 de Agosto de 1980, foi em casa, na igreja, eram bastantes pessoas de um lado e do outro da família, numa eira. Levou vestido branco muito lindo justo em cima sem grande decotes e com uma silva natural na cabeça- fizeram festa numa eira de umas pessoas amigas em Agosto ao ar livre – o casamento foi perto da altura da festa de oliveira então a aldeia até arcos tinha e ornamentações para a festa – o casamento fi 8 dias antes da festa –
26:41[marido] os pais gostavam do marido. Foi o marido que pediu à mãe a mão da filha em camento porque o pai estava emigrado – na altura quando começaram a namorar ele ainda n tinha ido à tropa –
27:19 [correios] os correios entretanto mudaram de sitio mas sempre houve correios em Sul – o correio ía de Sul para as outras aldeias – havia carteiros para levar as encomendas para as outras aldeias porque o correio ia directamente para sul e daí seguia para as outras aldeias. Havia dois ou três carteiros e em relação às pessoas de aldeias mais longe vinham pessoalmente ao encontro do carteiro que levavam o correio para as aldeias mais longe – quando chegava correio do pai o carteiro ia directamente à sua porta entregar o correio – muita gente tinha caixas de correio – também havia caixas para toda a aldeia mas em oliveira e em sul o correio vinha direto para as pessoas – hoje em dia é igual
29:33[a praça de sul] quando veio para sul havia uma rua estreita e depois havia a continuação dos terrenos adjacentes à actual praça – só há 10 anos é que fizeram esta praça – construíram para a aldeia ficar mais arranjada – ao principio não faziam nada na praça mas depois começaram a fazer festa
30:30 [feira de sul] não há mercado mas fazem uma feira mensal – vêm meia dúzia de feirantes vender roupa e calçado – houve uns anos que deixou de haver feira mas depois voltou a haver – vêm algumas pessoas à feira e a Mª também vai
31:17[tem saudades dos outros tempos?] diz que sim mas uma saudade saudável mas diz que saudade têm-se sempre – há 32 anos que está em Sul
31:45[Sul de antigamente] era diferente em muitos aspectos -havia muito mais gente – e houve algumas obras – as pessoas que havia morreram de velhos[/hide]