[hide for=”!logged”] 00:00 [Apresentação] Maria Emília Fernandes Figueiredo Pinto – Nasceu em Oliveira do Sul a 21 de Novembro de 1960 – Viveu sempre com os pais em Oliveira até aos 18 anos, altura em que foi trabalhar para um café nas termas onde trabalhou um ano tendo voltado para Sul aos 20 para se casar –

[casamento] O marido estava em Lisboa para onde foi com 14 anos mas era de Oliveira também – conheceu o marido que é três anos mais velho que ela em Oliveira quando vinha de férias, eram praticamente vizinhos na altura – O interesse pelo marido começou aos 14 anos quando namoriscaram, depois aos 18 anos voltaram a namorar, neste período de tempo em que o seu futuro marido estava a fazer a sua vida em Lisboa a Maria Emília nem casou nem arranjou outro, passavam-lhe todos ao lado –

00:51 [filhos] casou -se em 1980 e tem três filhas – A primeira quando nasceu já estavam em Sul naquela loja a trabalhar, tinha 21 anos e a filha tem 31 anos, tem outra com 27 e outra com 17.

02:42 [trabalho] trabalhou um ano e pouco nas termas de São Pedro do Sul, num café- restaurante – Depois casou e veio para Sul trabalhar onde trabalha hoje – A casa onde trabalha é uma casa muito antigo que já estava aberta há muitos anos, era uma casa mercearia e casa de urnas, vendiam urnas para os defuntos. Depois fizeram um café e as urnas passaram para cima, tudo isto no tempo da dona Alzira e Maximino – Quando foi trabalhar para lá já era um café e mercearia como é hoje mas vendia outras coisas – Os antigos donos era da terra e ela de São Pedro – Já morreram mas o filho continuo vivo – Ele morreu à 30 anos e ela à 3- A dona Alzira é que trabalhava aqui porque ele vendia madeiras e tinha um aviário – Tinha contato com os antigos donos pois eles sempre moraram no andar de cima do café, como o filho ainda lá mora visto que o prédio ainda é dele – Na altura havia os trespasses e o café foi trespassado à Maria Emília –

5:07[O café] Na altura a dona Alzira adoeceu e quiseram trespassar o café. Por coincidência estavam lá os primos dos actuais donos que tencionavam vir de vez da Dinamarca e ficaram com o café mas não chegaram a ficar lá um ano porque não gostavam – então o primo dela começou a tentar arranjar quem fosse para lá tomar conta do café. Então a Maria Emília ainda esteve um ano a tomar conta do café sendo do primo porque ele soube que a Mª Emília estava casada e que vivia em Oliveira – passado um ano o marido da Mª Emília fez lhe a proposta aos primos de ficar com o café e então ficaram com o café, há já 31 anos, desde Janeiro de 80 – Custou-lhe um pouco a habituar-se mas acha que na vida se tem que fazer cedências pois em Sul tinha as suas filhas que criou praticamente dentro do café, nunca precisou de ajuda apesar de ter a família muito perto – A Mª Emília costuma referir que achas que as filhas não vão conseguir viver se ela alguma vez sair do café por estarem habituadas a vê-la naquele lugar – então ao mesmo tempo que trabalhava criava as filhas – as filhas tinham sempre a mãe à espera delas ao contrario do pai – Não tenciona sair do café só se as coisas derem para o torto mas ela não é pessimista – Gosta do que faz e de fazer tudo sozinha – O marido trabalha fora e quando está em Sul não se mete porque a Mª Emília não deixa – diz que sabe os as coisas estão e que vai buscar qualquer coisa de olhos fechados, é muito organizada e não tolera que não sejam

9:15[relação com as pessoas] gosta de se dar com as pessoas mas não se dá com toda a gente – com as pessoas com quem não se dá diz apenas bom dia e boa tarde porque diz que há pessoas realmente impossíveis de manter relações –

9:43 [lembranças de situações na loja] [filhas] lembra-se de coisas giríssimas com as filhas e com os clientes – As filhas foram criadas no meio das pessoas – explica uma situação que era muito engraçada – A filha soraia era a mais malandrinha – refere que as filhas não andavam sozinhas na rua quando era pequenas tal como a neta porque a estrada e os carros são perigosos – Refere que as filhas têm personalidade muito diferentes –

11:00[família]A maior parte da família vive em Oliveira mas também tem família em Sul porque a avó era de lá – O pai já faleceu e a mãe ainda é viva, tem 82 anos – O pai emigrou quando Mª era muito nova, foi para França – Quando o pai vinha a Oliveira trabalhava nas terras onde a mão sempre trabalhou – O pai ficou muitos anos na França, quando a emigração era muito difícil, mas vinha a Oliveira todos os anos no Natal – quando o pai vinha à terra ficavam muito felizes mas nunca se perdeu o vinculo, nunca estranhou e o irmão talvez também não tenha estranhado mesmo sendo bem mais novo – quando o pai ir embora era uma grande tristeza – comunicavam-se apenas por carta, tanto a pai como o pai escreviam – o dinheiro que mandava era através de uma espécie de vales que eram depois trocados no banco – a mãe sempre foi muito equilibrada com o dinheiro. Nunca os seus filhos passaram fome como muitos da sua idade passaram – A mãe trabalhava muito e ainda hoje trabalha- com o dinheiro comprou a pronto umas terrinha para não ter que andar a pagar aos poucos aos proprietários ricos da terra que também a empregavam – Comprou-lhe então as terras que depois trabalhava e tinha a casa onde fez obras – A mãe orientava-se bem e era muito boa gestora – Os seus pais transmitiram -lhe esses valores e a Mª também os transmitiu às filhas e pensa estarem a funcionar – Acha que os pais eram boas pessoas – Os pais nasceram em Oliveira de Sul, a avó é que era de Sul mas foi morar para Oliveira –

15:51 [emigração] O seu pai foi o único caso de emigração na família – trabalhava perto de paris em França a fazer estradas- diz que o trabalho era muito duro mas que o pai era uma pessoa muito forte – diz que na altura a emigração era feita de assalto e que depois moravam todos juntos em barraquinhas – diz que a emigração eraa feita à semelhança dos imigrantes que entram em Portugal clandestinamente. Depois de lá estarem é que conheciam alguém que os ajudava a arranjar papeis

17:22 [antes do euro] a ela não lhe custou a transição e aos filhos também não – custou sim às pessoas de mais idade e ainda hoje muitas pessoas se enganam – já muitas pessoas se enganaram na loja dela com essa questão dos euros

18:09 [a freguesia de sul ] A freguesia é muito grande – Sul é mais ou menos um ponto de passagem, é onde as coisas estão mais centralizadas, a junta, os correios, o médico

18:35 [relação com as pessoas ] diz que tem ligação com toda a gente – diz que tem amigo e inimigos também – diz que não se pode agradar a toda a gente por mais que se queira mas diz que isso é um mal menor.

19:03 [A escola] Na altura entrava-se na escola com 7 anos e fez a escola primária em Oliveira – Na altura ainda havia as escolas para meninos e escolas para meninas – O quinto e sexto ano fez na tele escola em Sul – Lembra-se de muitas coisas desse tempo principalmente de Salazar porque já tinha 14 anos quando se deu o 25 de Abril

19:44[Salazar] [escola] Eram muitas as exigências no tempo de Salazar – Diz que desde essa altura as coisas mudaram efectivamente muito, de 8 para 180 porque na altura as crianças eram obrigadas a obedecer e hoje as crianças não obedecem – Na altura em que andava na escola ainda se usava lousa e giz mas já havia livros, que partilhou com a irmã. Com o irmão já não pode partilhar porque o irmão já nasceu noutra altura – Sempre foi a pé para a escola tanto em Oliveira como em Sul – A escola começava às nove horas e na escola em sul começava de tarde – os professores eram muito exigentes e batiam nos alunos – a professora era a Lucinda mas era má professora e já era velha – como já não tinha força para dar reguadas mandava os colegas darem reguadas uns aos outros – havia muitos castigo, diz que a escola era muito complicada, havia uma professora para rapazes e outra para raparigas – As escolas em que andou em Sul e Oliveira ainda hoje existem

23:07 [Infância] Brincava as brincadeiras normais do tempo: escondidas, cabra cega e pedra aos quadradinhos – ninguém tinha brinquedos na altura , brincava se com qualquer coisa que desse para brincar – na altura havia muitas crianças na rua para brincar – por vezes levava na lombas ? porque n fazia o que tinha que fazer para ficar a brincar – eram muitos miúdos na altura

24:22[Actualmente] [os miúdos] agora os miúdos ficam em casa a brincar no computador, metem nos em ginásios, já ninguém brinca como brincava – em sul há muito poucas crianças, a população esta´muito envelhecida como em muitas aldeias

24:55 [casamento] lembra-se do dia de casamento, 2 de Agosto de 1980, foi em casa, na igreja, eram bastantes pessoas de um lado e do outro da família, numa eira. Levou vestido branco muito lindo justo em cima sem grande decotes e com uma silva natural na cabeça- fizeram festa numa eira de umas pessoas amigas em Agosto ao ar livre – o casamento foi perto da altura da festa de oliveira então a aldeia até arcos tinha e ornamentações para a festa – o casamento fi 8 dias antes da festa –

26:41[marido] os pais gostavam do marido. Foi o marido que pediu à mãe a mão da filha em camento porque o pai estava emigrado – na altura quando começaram a namorar ele ainda n tinha ido à tropa –

27:19 [correios] os correios entretanto mudaram de sitio mas sempre houve correios em Sul – o correio ía de Sul para as outras aldeias – havia carteiros para levar as encomendas para as outras aldeias porque o correio ia directamente para sul e daí seguia para as outras aldeias. Havia dois ou três carteiros e em relação às pessoas de aldeias mais longe vinham pessoalmente ao encontro do carteiro que levavam o correio para as aldeias mais longe – quando chegava correio do pai o carteiro ia directamente à sua porta entregar o correio – muita gente tinha caixas de correio – também havia caixas para toda a aldeia mas em oliveira e em sul o correio vinha direto para as pessoas – hoje em dia é igual

29:33[a praça de sul] quando veio para sul havia uma rua estreita e depois havia a continuação dos terrenos adjacentes à actual praça – só há 10 anos é que fizeram esta praça – construíram para a aldeia ficar mais arranjada – ao principio não faziam nada na praça mas depois começaram a fazer festa

30:30 [feira de sul] não há mercado mas fazem uma feira mensal – vêm meia dúzia de feirantes vender roupa e calçado – houve uns anos que deixou de haver feira mas depois voltou a haver – vêm algumas pessoas à feira e a Mª também vai

31:17[tem saudades dos outros tempos?] diz que sim mas uma saudade saudável mas diz que saudade têm-se sempre – há 32 anos que está em Sul

31:45[Sul de antigamente] era diferente em muitos aspectos -havia muito mais gente – e houve algumas obras – as pessoas que havia morreram de velhos[/hide]