Maria Helena Mendes recorda que a escola a sua infância foi bastante diferente do que vemos hoje. A escola uma casinha pequena, fria e simples, sem forro e coberta por lousas, com chão de tabuinhas e sem qualquer aquecimento. O material escolar era escasso e simples: usavam-se penas molhadas em tinteiros para escrever na lousa, não havia cadernos para as contas, e os lápis eram reutilizados até se partirem completamente. A saca para os livros era feita de tecido, nunca tinham porta-lápis, e os livros eram pequenos, com poucos temas, como leitura, história, matemática (chamada de “problemas”) e ciências.

As brincadeiras nos intervalos também eram bastante simples, sem bolas de verdade — as crianças improvisavam bolas de trapos e cantavam em roda, com as meninas pulando para o meio enquanto os meninos pulavam ao redor. Os trajetos para a escola eram longos e difíceis; Maria Helena ia a pé de Mealha, muitas vezes descalça ou com tamancos, e só usava sapatos para ir a Arouca.

Em contraste, descreve a escola atual, que é mais confortável, com aquecimento e melhores materiais. As crianças levam livros grandes e pesados, sapatilhas para a escola, e o transporte geralmente envolve um autocarro escolar ou taxi. A rotina inclui não só o estudo, mas também atividades no computador, brincadeiras e ajuda nas tarefas domésticas. A escola de hoje tem menos alunos por turma e professores com formação específica, ao contrário do passado, em que uma única professora regente ensinava várias classes ao mesmo tempo, com muitos alunos e poucos recursos.

Maria Helena Mendes enfatiza que antigamente, além dos estudos, as crianças ajudavam muito no trabalho do campo, usando vacas para arar a terra e trabalhando até à noite à luz de uma candeia de petróleo, já que não havia eletricidade. A vida escolar e doméstica era dura, rodeada de limitações que hoje parecem inimagináveis para Iogo, destacando a enorme transformação da vida rural e escolar ao longo das gerações.